Estreia do longa-metragem “Edifício Bonfim” reúne a classe artística em Porto Alegre

Diretora Ligia Walper e a distribuidora da Panda Filmes Tatiana Sager — foto: Fernanda Davoglio

  Amigos e artistas prestigiaram a estreia de Ligia Walper como diretora de um longa-metragem produzido para os cinemas. A sessão para convidados de Edifício Bonfim lotou uma das salas do Cineflix, no Shopping Total, em Porto Alegre. Na plateia, estavam o marido de Ligia e roteirista do filme, Tabajara Ruas, a jornalista Alice Urbim, o cineasta Jorge Furtado, as produtora Nora Goulart e Ane Siderman, o ator Roberto Birindelli, o diretor Beto Souza, o músico Hique Gomes, a escritora Letícia Wierzchowski e a distribuidora nacional da obra, Tatiana Sager, entre outros.

A jornalista Alice Urbim e a Ligia Walper — foto: Fernanda Davoglio

   Totalmente rodado em Florianópolis, o título premiado explora o universo fantástico e o terror para retratar as lendas e mitos da chamada Ilha da Magia. O longa estreou em 18 salas de cinema de 10 cidades brasileiras: São Paulo, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, Joinville, Balneário Camboriú,  Salvador, Gurupi (TO) e Araguaia (TO). Na capital gaúcha, na segunda semana de exibição, o filme pode ser visto na Cinemateca Paulo Amorim da Casa de Cultura Mario Quintana

O cineasta Jorge Furtado, Ligia Walper e a produtora Nora Goulart — foto: Fernanda Davoglio

> O FILME:

 Pela primeira vez, a premiada montadora e produtora gaúcha Ligia Walper (deNetto Perde sua Alma Brizola — Tempos de Luta) assina a direção de um longa-metragem realizado para os cinemas com Edifício Bonfim. A produção ganhou os prêmios de melhor filme brasileiro e melhor atriz (Gabi Petry) no Djanho Fantástico Festival Internacional de Cinema de Curitiba, um dos principais do gênero no país, em 2025. 

Ligia Walper e a escritora Letícia Wierzchowski — foto: Fernanda Davoglio

   Na tela, três narrativas — CriaturaTrilha da Costa e Formando — se entrecruzam num clima amedrontador e estranho, com nuances de policial, drama e comédia. A unidade da trama se dá por meio da circulação de personagens de uma história dentro da outra, uma vez que todos vivem no mesmo prédio, que dá nome ao filme. Após uma reunião de condomínio, moradores passam a se envolver em episódios macabros, ataques e mortes na cidade. Há quem se torne vítima ou revele ser um vilão. 

Atores Sandro Maquel e Vinícius Wester com Ligia Walper — foto: Fernanda Davoglio

  — Edifício Bonfim utiliza elementos inusitados, incomuns e sobrenaturais misturando realidade, fantasia e sonho, permitindo assim que a perplexidade invada o espectador, abrindo sua imaginação para o encontro com o bizarro. Destaco que mergulhamos no universo catalogado pelo professor Franklin Cascaes, antropólogo, pesquisador e artista catarinense, que retratava, por meio de desenhos, narrativas e esculturas, a imaginação dos habitantes de Florianópolis com crenças, lendas e superstições herdadas de gerações passadas. O filme se situa no gênero fantástico, em expansão nas telas brasileiras. Só pra lembrar, sempre tem um filme de terror em cartaz, nos cinemas e streamings, vide Welcome to Derry e A hora do mal(Weapons), recentemente premiado no Oscar — explica Ligia Walper.

O ator Roberto Birindelli e Ligia Walper — foto: Fernanda Davoglio

   Finalizado por Tabajara Ruas (diretor de Netto Perde sua Alma e Os Senhores da Guerra), o roteiro é uma construção urbana elaborada pelos escritores especializados em histórias de mistério, horror e suspense Duda Falcão e Cesar Alcázar, ambos gaúchos, e o americano Christopher Kastensmidt. O longa também oferece uma viagem sensorial a uma das mais lindas capitais brasileiras. Imagens áreas revelam detalhes de cartões-postais de Florianópolis, como a Lagoa da Conceição, a Ponte Hercílio Luz e a Praia deItaguaçu. A metrópole do sul do país se integra às histórias, tornando-se um dos protagonistas do filme, seja lindamente iluminada à noite ou marcada pela natureza exuberante durante o dia. Tudo embalado pela trilha sonora contagiante de Carlos Trilha e Murilo Valente com músicas da banda Dazaranha.

Ligia Walper e a produtora Ane Siderman — foto: Fernanda Davoglio

   —Trazer as histórias que ouvimos há tantos anos para as telas foi um exercício cinematográfico diferente dos filmes anteriores que realizamos, a maioria com cunho histórico no pano de fundo. Desta vez, fiz questão que a paisagem também funcionasse como um personagem, para mostrar que mesmo num lugar tão idilicamente belo, o terror pode se esconder onde menos se espera — comenta a diretora.

Músico Hique Gomes e Ligia Walper — foto: Fernanda Davoglio

   No elenco, destacam-se Gabi Petry (do longa-metragem iraniano Texas, da minissérie Passaporte para a Liberdade, da TV Globo, e das novelas Carinha de Anjo e As Aventuras de Poliana, do SBT), Vinícius Wester (das novelas Malhação — Viva a Diferença e Verdades Secretas 2, da TV Globo), Sandro MaquelWelington Moraes, Sarah MottaMatteo MazzonSérgio BarretoGiwa CoppolaGringo Star e Eliane Carpes, entre outros.

   A equipe também reúne a família de cineastas que compõem a Walper Ruas Produções, realizadora do filme. Tomás Walper Ruas, filho de Ligia, assina a codireção, montagem e edição. Já o cineasta Tabajara Ruas, marido da diretora, é roteirista e produtor da obra. A distribuição é da Panda Filmes. O projeto foi contemplado pelo Edital do Prêmio Catarinense de Cinema/FCC, em 2019, em arranjo com o Fundo Setorial Audiovisual/BRDE e Ancine.

Ligia Walper e o diretor Beto Souza — foto: Fernanda Davoglio

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