Publicado em 29 abril 2010, por Deco Rodrigues
Um tipo de arte que cai no esquecimento coletivo – e ao mesmo tempo existe para representar a memória. A arte tumular, existente em cemitérios, pode parecer mórbida à primeira vista, mas revela obras que são pouco observadas. A estudante de Jornalismo Helena Santos Schwonke, 23 anos, registra as imagens de detalhes de esculturas, bustos e mausoléus que adornam o Cemitério São Francisco de Paula. As fotografias em preto-e-branco da acadêmica e seu olhar particular sobre as obras podem ser conferidos a partir do dia 03, na Galeria de Arte da Universidade Católica de Pelotas (UCPel).
Intitulada “A Arte Esquecida”, a exposição é a primeira de Helena. Sua principal intenção, desde que começou a fotografar arte tumular, aos 15 anos, é mostrar às pessoas que o cemitério pode esconder belezas, muito além da impressão que o local pode remeter. “Muita gente não valoriza esse tipo de arte por não ter a ideia de que pode existir arte num lugar assim, que a maioria julga triste”, ponderou.
De acordo com a artista, cemitérios são locais costumeiramente frequentados na Europa, tanto em função das figuras ilustres sepultadas nos locais quanto pelas obras de arte. Apesar de ter fotografado arte tumular no Uruguai e no Canadá, Helena irá expor apenas imagens de Pelotas. Tudo para mostrar à população o patrimônio existente em sua própria cidade. “Aqui temos Simões Lopes Neto, Lobo da Costa, Antônio Caringi. O preconceito é só falta de informação. O cemitério é um museu a céu aberto”, avaliou.
Curiosamente, a arte que servia para eternizar memórias está sendo esquecida, avalia a artista. Muitas de suas esculturas favoritas já foram furtadas ou depredadas. “Daqui a pouco esses monumentos não existirão mais”, alertou.
Um olhar diferenciado
A proposta de Helena é desmistificar a morte e o preconceito que se tem em relação aos cemitérios e, principalmente, valorizar a cultura e o patrimônio. “O cemitério conserva acervos artísticos e históricos provenientes de épocas em que Pelotas era uma cidade muito diferente da que conhecemos hoje. Se trata de uma arte de muito bom gosto e cheia de detalhes que fazem o observador viajar no tempo, na história da cidade e na história das famílias”, destacou.
A técnica utilizada pela artista privilegia os detalhes, com o intuito de valorizar os traços delicados das esculturas. Na exposição, o público poderá conferir dez fotografias, em formato 30cm x 40cm.
Ligando suas imagens à escolha da profissão, Helena torna-se uma mediadora entre a arte tumular e o público. “Com minhas fotografias, estou representando outro tipo de arte. O mérito é do escultor. Eu aproximo as obras das pessoas”, declarou.
Visitação
A exposição de Helena Schwonke vai até o dia 21 de maio. A Galeria de Arte da UCPel fica localizada na Rua Gonçalves Chaves, 373. O horário de funcionamento é das 8h às 22h, sem fechar ao meio-dia. A entrada é gratuita.
Fonte: ucpel.tche.br
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